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volto já

para quem pertence a vários lugares

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Roteiro pela classe imperial de Viena

Centro de Viena

 

Viena é a cidade para os apaixonados sossegados. Serena, tranquila e clássica, assim é a capital austríaca. A nossa passagem por Viena inseriu-se num circuito que fizemos pela Europa central, que envolveu mais três cidades (Salzburgo, Munique e Budapeste).

 

Esta foi a terceira passagem, depois de termos passado dois dias em Munique e um por Salzburgo, de onde partimos para Viena. A melhor forma que encontrámos de chegar a Viena foi através de comboio (25€ por pessoa, comprada com dois dias de antecedência na Westbahn, a alternativa mais barata do que a OBB). Ao chegar à estação central comprámos um bilhete único de metro para chegar ao coração da cidade. Optámos por comprar apenas um bilhete porque a maior parte dos pontos de interesse da cidade fazem-se bem a pé, excluindo o Palácio de Schönbrunn e o Palácio de Belvedere.

 

Chegámos ao hotel, o Alpha Wien, por detrás da Câmara Municipal, e partimos de imediato para a aventura vienense. Qual não foi a nossa surpresa quando encontrámos um mercado de rua mesmo na praça da Câmara Municipal, recheado de barracas com comida muito saborosa. Pegámos no nosso delicioso salmão grelhado com batata, juntámos um copo de vinho branco e comemos de pé perante uma plateia animada na praça.

 

Catedral de Santo Estevão

 

Depois, pergunta aqui, pergunta acolá, e demos de caras com a Catedral de Santo Estevão, isto depois de termos percorrido as belas ruas (e limpas) à volta da Stephansplatz. Na Catedral (que está em obras há anos) não há muito para ver. Aliás, ‘obrigam-nos’ subir mais de 300 degraus para depois ficarmos confinados a uma pequena sala com vistas para a cidade e com janelas a esbarrar os nossos olhares. Há sempre uma banca com ’souvenirs’, mas não estávamos a contar que estivesse ali, naquele espaço tão reduzido. Claro que dá para olhar para a cidade bem do alto, mas preferimos observar os azulejos que cobrem parte da catedral. São únicos e, juntos, fazem um belo quadro/telhado.

 

Café Central, Viena

 

Aproveitamos o resto da tarde para desfrutar da cidade, passear e comer. O nosso lanche foi num dos cafés mais emblemáticos do mundo, o Café Central, no distrito número 1, na rua Herrengasse. Rigorosamente bonito e atencioso, este espaço oferece-nos o que de mais clássico existe em Viena. Esperámos que alguém nos viesse buscar à entrada e depois encaminharam-nos para a mesa. Depois, (um conselho) deixem a carta do menu pousada e observem a típica pastelaria de Viena. Aconselhamos, de olhos fechados, o doce de rum e violeta, algo que a Princesa Sissi saboreava nos seus tempos livres de dieta. O serviço é excelente e ainda fomos brindados com um mini-concerto de piano.

 

Antes de irmos descansar, fomos a um dos restaurantes mais típicos (e muito admirado pelos locais) de Viena, o Rosnovskyundco, que curiosamente ficava a 10 metros do nosso hotel. Provámos e aprovámos o típico Goulash, acompanhado de um excelente vinho e de um serviço muito competente. Ah, e até ouvimos fado, mesmo sem saberem da presença de portugueses.

 

Palácio Imperial de HofburgPalácio Imperial de Hofburg

Palácio de SchönbrunnPalácio de Schönbrunn

 

O segundo dia foi dedicado aos museus mais conhecidos da cidade, o Palácio de Schönbrunn e o Palácio Imperial de Hofburg. Ambos de visita obrigatória para quem passa por Viena. Podem não gostar de Reis e Princesas, mas estes palácios são muito mais do que isso. Aqui não há espaço para desilusões, uma vez que conseguimos ter uma clara noção de como era a vida monárquica da altura e tudo muito bem explicado. Diríamos até que nos sentimos como se fizéssemos parte da família imperial. A história da dinastia desta família real é tão envolvente que só queremos saber mais. Quem gosta de ver louças, vestidos, utensílios de cozinha, móveis, vai adorar estes dois palácios.

Cripta Imperial de Viena

  

Gasta-se muito tempo para o Schönbrunn e o Hofburg, por isso acordem cedo e aproveitem bem o vosso dia. Ao final de tarde ainda deu para visitar a Cripta Imperial de Viena, o principal local de enterro dos Hofburg austríacos, que está muito perto do Palácio Imperial. Aqui, ao todo, foram sepultados 12 imperadores e 18 imperatrizes.

 

Ópera Estatal de Viena

 

Depois, fomos a correr para o hotel vestir os nossos melhores fatos. Era dia de ver e ouvir uma peça na belíssima Ópera Estatal de Viena. Quando dizemos que em Viena a classe impera não estamos a mentir. Se acham que, por força dos tempos modernos, não precisam de levar o vosso melhor vestido ou o melhor fato para assistir a uma ópera desenganem-se, a tradição ainda é o que era. Antes de lá chegar, receámos ser os únicos a empenhar-se na roupa, mas bastou-nos aproximar do edifício para perceber que todos, mas todos, estavam rigorosamente bem vestidos. O protocolo também ainda é o que era e, em todos os corredores e andares, existem funcionários que nos encaminham para os nossos lugares.

 

Os nossos bilhetes para assistir a Ópera foram comprados em dezembro [a viagem foi em fevereiro] e reservámos os dois únicos lugares lado a lado disponíveis. Por isso, se estão a pensar em assistir a uma ópera em Viena (obrigatório) façam a reserva de bilhetes com mais antecedência, assim poderão escolher os melhores lugares.

 

Ópera Estatal de VienaÓpera Estatal de Viena

 

Ficamos num compartimento com vista reduzida, mas, acreditem, ficamos fãs de Ópera depois desta experiência. Também tivemos a sorte de nos termos estreado com uma das mais emblemáticas, a Tosca de Puccini. Lembrámos que um espetáculo destes dura aproximadamente três horas, com intervalos.

 

Ainda assoberbados pela ópera, voltamos a correr (tudo a pé, porque em Viena tudo é perto) até ao nosso restaurante previamente escolhido no dia anterior, o eletrizante Medusa (bem perto da Cripta Imperial). Neste restaurante tudo é bom, o serviço, a música ambiente-eletrónica com um volume um pouco mais alto, o espaço e sobretudo a comida, foi mesmo divinal. Agora até olhamos para as sopas de forma diferente. No final do jantar, ainda houve tempo de subir ao piso superior para terminar a noite em grande com um cocktail servido com um estilo muito profissional.

 

Jardins do Palácio BelvederePalácio Belvedere

 

 

No dia seguinte, já tristes por ser o último na capital austríaca, ainda tivemos tempo de visitar o Palácio Belvedere. Tal como tudo em Viena, os jardins e os espaços envolventes são magnifícos e aqui não é exceção. As obras expostas são interessantes. mas todos querem ficar à frente do “O Beijo” de Gustav Klimt. Ao vivo é ainda mais espetacular. Podem tirar fotos em todos os espaços, menos aqui. Há ainda mais obras do pintor austríaco, mas a verdadeira beleza é mesmo o quadro que o tornou famoso, valendo bem o preço de entrada no museu.

 

Palácio de Belvedere

  

E foi assim que passámos dois dias e meio em Viena, uma cidade muito segura, limpa, com uma rede de transportes de fazer inveja aos japoneses, e com muita, mas mesmo muita, arte ao ar livre. Se há cidade que nos marcou e que já tem um bilhete de regresso, essa é a imperial Viena.

 

Palácio Belvedere

 

Notas:
Orçamento para estes dois dias e meio: Aproximadamente 300 euros para os dois (para despesas de refeições e transportes);
Como chegámos lá: Comboio de Salzburgo a Viena: 25 euros por pessoa pela Westbahn;
Mês escolhido: Fevereiro
Preço médio da refeição: Se for em restaurante, com entrada, prato, copo de vinho e sobremesa, pagam aproximadamente 60 euros por pessoa;
Alojamento: Hotel Alpha Wien, perto da estação de metro de Rathaus, 134 euros para duas noites com pequeno almoço incluído.

Roteiro: O mistério de Munique e o encanto de Neuschwanstein

Lago do Castelo de Neuschwastein

 

Munique é uma daquelas cidades que encanta, não pela sua beleza (que não lhe falta, entenda-se), mas pelo seu carisma. A identidade bávara está presente em cada esquina, em cada restaurante, em cada habitante, ostentando orgulhosamente a cultura da região. Em Munique, parece viver-se constantemente em ambiente de festa, uma festa da qual é muito fácil fazer parte. Tanto que já tinha visitado a cidade com amigas e tinha vontade de regressar com a cara metade para que pudesse perceber porque falava da cidade com tanto entusiasmo. E assim foi, acho que consegui contagiar o João de tal forma que, quando planeou esta viagem surpresa pela Europa Central (juntamente com Salzburgo, Viena e Budapeste), decidiu começar pela Baviera.

 

Munique vale por si só, mas também pela proximidade a outras atrações turísticas, nomeadamente ao castelo Neuschwastein, aquele que serviu de inspiração para o castelo da Disney. Foi por aqui que decidimos começar as nossas férias, uma vez que o nosso voo chegou a Munique às 09h30 e deu para aproveitar completamente o dia. Há vários castelos para visitar naquela zona, mas após alguma pesquisa, optámos por fazer visita a Neuschwastein e a Linderhof, os dois castelos idealizados pelo Rei Cisne, Luís II da Baviera. Aconselha-se a compra antecipada dos bilhetes online, até porque as visitas são guiadas e com número limitado de visitantes. Aliás, se o horário para o qual tentarem comprar bilhete estiver lotado são automaticamente recolocados num outro horário. E se não estiverem à hora combinada na bilheteira, para levantamento do vosso bilhete (1 hora antes do horário da visita), perdem automaticamente o direito à visita, não dá sequer para tentarem entrar no grupo seguinte. Bem-vindos ao rigor alemão.

 

Castelo de Neuschwastein

 

Sendo assim, optámos por alugar carro para esse dia, com levantamento no aeroporto e depósito no centro da cidade, e reservámos visita em Linderhof às 11h e em Neuschwastein às 15h, o que nos daria, na nossa perspetiva, autonomia e tempo suficiente para fazer tudo. E é aqui que começa a aventura. Primeiro, um verdadeiro caos para sair de Munique, obras, GPS desorientado por causa das obras e nós já com 30 minutos de atraso no nosso percurso. A dúvida: será que conseguimos chegar a Linderhof a tempo? A atitude positiva do costume: sim, claro que conseguimos! Até que a cerca de 20 km do nosso objetivo, ficamos encravados num trânsito imenso, na auto-estrada, em plenos Alpes. A atitude positiva manteve-se até aos 30 minutos de espera e 500 metros percorridos, quando percebemos a extensão da fila de carros. Decidimos então sair da auto-estrada na saída mais próxima, que por sorte, era a 500 metros de onde estávamos e tentar arranjar um percurso alternativo até ao próximo acesso à auto-estrada. Claro que toda a gente teve a mesma ideia e as filas de trânsito já chegavam até aí. Portanto, percebemos que Linderhof já era e como até estávamos numa vilazinha simpática dos Alpes, o que era uma total estreia para nós, decidimos ser espontâneos, alterar o nosso plano e parar mesmo ali para almoçar antes de mudar a rota para Neuschwastein. Entrámos no único restaurante da vila, que era também a única hospedagem, que era tal e qual como na nossa imaginação seria um restaurante dos Alpes: Madeira, bancos corridos, quadros de natureza, cabeças de animais nas paredes e uma senhora de meia idade, vestida de tirolesa e com tranças, que não falava uma única palavra de inglês. Tal como o menu. Mais uma vez, decidimos ser espontâneos e escolher o nosso almoço só porque nos soava bem. Descobrimos que os alemães sabem fazer bons panados e lhes dão o nome de schnitzel. E que bier é cerveja (mentira, esta já sabíamos).

 

Vistas para o Castelo de Neuschwastein

 

Já almoçados e com margem de tempo de zero minutos, voltámos à estrada, desta vez em direção a Neuschwastein, onde sem imprevistos, conseguimos chegar até antes da hora marcada. E conseguimos desfrutar da viagem, que é tão bela quanto o destino. Paisagens lindíssimas, verde e mais verde intercalado com grandes lagos, sempre com a proteção das montanhas alpinas, imponentes e majestosas. E lá está ele, primeiro as torres, depois todo o castelo aparece no nosso horizonte. É uma verdadeira obra-prima, a prova de que o homem sonha e a obra nasce. E o rei Ludwig sonhou bem alto, tanto que lhe custou o título de rei, foi considerado louco e deposto antes que arruinasse completamente as finanças do reinado com esta e outras obras. Mais do que uma bela construção, a visita a este castelo torna-se fascinante pela história que esconde. A vista do castelo é fabulosa e faz-nos sentir que estamos em pleno cenário da Guerra dos Tronos, ali incrustados no alto das montanhas. Tão alto que a subida até ao castelo, a partir das bilheteiras, é bastante exigente, deu para queimar pelo menos meio schnitzel. Daí exigirem que o bilhete seja levantado com uma hora de antecedência. A sério, contem pelo menos com meia hora de caminhada em passo acelerado até ao castelo, por isso não facilitem se não querem perder a vossa visita.

 

Lago do Castelo de Lago do Castelo de Neuschwastein

 

No final deste dia, maravilhados com a paisagem e o castelo Neuschwastein, ficamos com imensa pena de não termos conseguido visitar Linderhof, mas valeu-nos uma boa história e a vontade de voltar e explorar melhor aquela zona.

 

Nesse mesmo dia, regressámos a Munique, onde ficámos por duas noites, tendo dois dias completos para visitar a cidade. Três dias ou dois bem aproveitados são suficientes para ver o essencial de Munique.

 

Ficámos alojados no Hotel Mirabell, que merece aqui um destaque pelo excelente pequeno-almoço, aliás o melhor pequeno-almoço desta viagem e quiçá de todas as viagens feitas até aqui. Tudo o que imaginem que possa fazer parte de um buffet de pequeno-almoço está lá, com imensas opções, inclusive de produtos biológicos e vegetarianos.

 

A localização do hotel é boa, permitindo fácil acesso ao centro da cidade, bem como ligações de comboios e autocarros para outras cidades e países. Devo só alertar que, tal como a maior parte dos hotéis de Munique, está situado numa zona que, talvez pela proximidade à estação principal de transportes, pode parecer um pouco assustadora à chegada, contudo fiquem descansados. Em nenhum momento nos sentimos inseguros, podendo referir o mesmo na minha anterior estadia em Munique.

 

Centro de Munique

 

O centro da cidade é relativamente pequeno e percorre-se bem a pé, com calma e com tempo para desfrutar da cidade e dos seus belos cafés e cervejarias. Começamos pela praça principal, a Marienplatz, com o edifício da Câmara Municipal (Neues Rathaus) em estilo gótico a preencher todo o cenário. A torre do relógio é a protagonista, que todos os dias brinda quem por lá passa com um pequeno espectáculo de bonecos e música bávara a marcar as 11 horas.

 

Centro de MuniqueCatedral de Munique

 

Dali seguimos por uma das muitas ruas de comércio até à Odeonsplatz, outra das principais praças de Munique. É lá que está o Pórtico dos Marechais, a igreja de São Caetano (Theatinerkirche) e a Residência de Munique, em tempos residência dos duques, atualmente convertida em museu com belíssimos jardins, estes de entrada gratuita. E por falar em museus, se tiverem tempo não deixem de visitar o Distrito da Arte (Kunstareal) com exposições para todos os gostos: o Neue Pinakothek com obras impressionistas, o Pinakothek der Modern com arte moderna e contemporânea e o Alte Pinakotheke, dedicado aos mestres europeus dos séculos XIV a XVIII. Uma dica: aos domingos a entrada em qualquer um deles custa apenas 1€.

 

Jardins do Parque Olímpico

Museu da BMWAlmoço nos jardins do Parque OlímpicoMuseu da BMW

 

Para os amantes de carros, há também uma boa sugestão, o museu da BMW, com a história da marca e réplicas de vários modelos, motores e afins. À saída só têm de atravessar a estrada e já estão no Parque Olímpico, onde decorreram os Jogos Olímpicos de 1972, manchados pela morte de 11 atletas israelitas num ataque terrorista. À parte deste episódio negro da história, o Parque é até bastante agradável e tranquilo, e convida ao relaxe. Nada como sentar numa das colinas ou junto do lago a comer uma salsicha em pão e a beber uma cerveja, como um verdadeiro local.

 

Voltando agora aos palácios, temos também em Munique um ótimo exemplo do luxo e grandiosidade do Império Bávaro, o Schloss Nyphemburg. E se estão a pensar se vale a pena ver mais palácios depois de Neuschwstein, sim vale, pois os dois são bem diferentes. Construído no século XVII, com inspiração no estilo francês, há quem diga até que é o “Palácio de Versalhes” de Munique. E embora não seja tão ostensivo, é fácil perceber as semelhanças. Os enormes e bem cuidados jardins, a organização do edifício, a decoração, o uso abusivo de adornos dourados, a Sala dos Espelhos, etc. Concorde-se ou não, vale muito a pena a visita, pelo palácio em si e pela história da família real bávara, com todos os seus enredos novelescos. Além do edifício principal, existem também dois palácios menores inseridos nos jardins (abertos ao público apenas de março a outubro), o museu das carruagens e o museu das porcelanas. O custo dos bilhetes é de 8,50€ no inverno e 11,50€ no verão, dando acesso a todas áreas. Os jardins podem ser visitados gratuitamente.

 

Nyphemburg fica um pouco afastado do centro da cidade, mas facilmente acessível de transporte público, de tram ou metro a partir do centro histórico de Munique ou da estação principal (Hauptbahnhof), contudo o tram é talvez a forma mais simples de lá chegar, uma vez que pára mesmo em frente ao palácio, enquanto a estação de metro mais próxima obriga a uma caminhada de cerca de 15 minutos.

 

Entrada para o Hofbräuhaus

 

E agora, por último, mas não menos importante. Nenhuma visita a Munique estará completa sem uma visita à cervejaria Hofbrauhaus, uma das mais antigas de Munique e provavelmente a cervejaria mais famosa do mundo. Visitar a Hofbrauhaus é toda uma experiência sensorial, onde somos completamente transportados para outra cultura. A música tipicamente bávara, as gargalhadas das pessoas sempre bem-dispostas, a estrutura do edifício com as suas belas arcadas e as mesas enormes de bancos corridos, os chapéus de penas tipicamente alpinos que muitos ainda usam, o cheiro da gastronomia tradicional, as canecas de cerveja enormes e pesadas, a culminar com um gole generoso do que melhor se faz em Munique: a cerveja. É como vos digo, não pode haver visita a Munique sem visita a Hofbrauhaus. E se a fome apertar, aproveitem também para degustar os pratos típicos da região. Não somos propriamente fãs da culinária alemã, mas não podemos deixar de recomendar que experimentem pelo menos o tal schnitzel e a famosa salsicha alemã.

 

Se no final disto tudo ainda vos sobrar energia, ficam aqui duas boas sugestões para um final de noite memorável. Se a vontade for de sentar a um balcão a beber um bom cocktail, recomendamos o Bar Schumann’s. Se, por outro lado, o que vos apetece é vida louca e dançar até queimar toda a gordura que vão ingerir por estes dias, deixamos duas sugestões: Film Casino e Heart Club, dois espaços elegantes, com bom ambiente e animação garantida.

 

Notas:
Orçamento para estes dois dias: Aproximadamente 400 euros por casal (para despesas de refeições, gasolina,  entradas nos monumentos, bares e discotecas);
Como chegámos lá: Avião da Iberia do Porto até Munique, com escala em Barcelona (68€ por pessoa)
Mês escolhido: Fevereiro
Preço médio da refeição: Se for em restaurante, com entrada, prato, copo de vinho e sobremesa, pagam aproximadamente 25 euros por pessoa;
Alojamento: Hotel Mirabell, perto da estação central de comboios, 144€ por duas noite, com pequeno almoço.

O sabor de Munique, a classe de Viena e Salzburgo e as cores de Budapeste

Salzburgo, Budapeste, Munique e Viena

 

 

A nossa viagem, em fevereiro de 2016, começou com a aterragem em Munique, mas partimos logo para o conhecido Castelo de Neuschwanstein. Pegámos num carro e lá fomos por terras desconhecidas. A viagem vale bem a pena ser feita de carro e, quando ao longe começamos a ver as formas do castelo que inspirou o logótipo da Disney, fica-se em êxtase. Não sei se partilham da mesma sensação, mas é espetacular ficar a olhar de longe para a nossa meta e sentir que tomamos a opção correta em visitá-lo.

 

Por dento não desilude e é um castelo cheio de mistério, de arquitetura única, e onde se consegue absorver toda a loucura do Rei Luís II da Baviera. Toda a envolvente, com os lagos, montanhas e cisnes, levam-nos para o mundo encantados dos príncipes e princesas. Se está a pensar numa visita a Munique, tem de conhecer o mundo deste 'Rei Louco'.

 

Munique, que fica a 120 quilómetros de Neuschwanstein, não é cidade para se ficar fascinado e acho que é aqui que reside o verdadeiro interesse pela descoberta desta cidade alemã. Munique é para ser vivida e não para ser observada. Apesar de Munique ter excelentes pontos turísticos, o melhor que se pode fazer é entrar nos restaurantes e bares peculiares da cidade e deixar-se levar pela simpatia dos bávaros.

 

Salzburgo, desculpem-nos, foi a grande desilusão desta viagem. Encantados pelas fotografias das paisagens, esperávamos algo mais desta cidade austríaca. Pouco amiga dos turistas, Salzburgo não tem muito para oferecer: Praças despidas e restaurantes sem caráter.

 

O ex-libris da cidade é o castelo. A Fortaleza de Hohensalzburg, que oferece uma boa vista da cidade mas, por dentro, não vale o que pedem pelo bilhete. Há ainda o Palácio Mirabell, que merece apenas uma visita (muito) rápida.

 

Não conseguimos dizer muito sobre Salzburgo. Vista cá debaixo é bonita, tem um par de ruas bonitas, mas não entusiasma. Quando lá fomos era véspera de carnaval e esperávamos uma festa, mas o que tivemos foi um vazio a partir das 21 horas.

 

Depois passámos para Viena e aí sim, a paixão chegou. Viena é especial porque não nos desilude. Sabem quando vemos aquelas fotografias ou filmes a retratar ‘Expectations vs Reality’? Se colocassêmos lá Viena a fotografia iria ser a mesma. A capital austríaca é exatamente aquilo que se espera.

 

Em Viena respira-se o clássico, que é tão característico do país, a segurança e a limpeza. Viena tem classe e é pretensiosa, e gostamos disso. Aqui encontraremos dois dos melhores museus (Palácio Imperial de Hofburg e Palácio de Schönbrunn) que já vimos em todas as nossas viagens. Impecavelmente bem explicados e cuidados, estes dois locais são de visita obrigatória, mesmo para aqueles que nunca ouviram falar dos Hofburg. Há ainda o Palácio Belvedere, para os amantes de arte e Gustav Klimt, as áreas do Museumsquartier e a bela Ópera.

 

Viena, de dia e noite, tem cores intrigantes e é tudo, mas tudo, impecavelmente limpo.

 

Mas nem tudo é etiqueta em Viena. A capital tem os seus espaços de diversão e os seus restaurantes descontraídos e animados. Contudo, em Viena, a sofisticação impera sempre.

 

Por fim, ponto final deste circuito na fascinante Budapeste. Para perceberem, numa palavra, esta cidade húngara temos de recorrer ao inglês. Budapeste é ‘breathtaking’! Esta cidade tem vida dentro dela, mesmo que não existissem pessoas [o mesmo não podemos dizer de Salzburgo]. Parece uma cidade com pilhas de energia debaixo dela.

 

Budapeste ganha, sem dúvida, o prémio das cores mais vibrantes entre todas as cidades que visitamos desta vez. O tom amarelado dos monumentos nas colinas confere um tom mágico à cidade e ao mesmo tempo aventureiro. É impossível ficar a olhar para o Castelo de Buda, Bastião dos Pescadores e o Parlamento e não ter vontade de os visitar.

 

A capital húngara tem ainda muitas, mas mesmo muitas, opções de restaurantes e bares, de vários géneros, mas o que se destaca é a descontração que se vive dentro deles. A maior parte tem a música um pouco mais alta e ambiente jovem. Enquanto estivemos lá não paramos de dizer: Budapeste é perfeita para uma viagem de amigos (seja para mulheres ou homens) ou até para uma despedida de solteiro em grande.

 

Há ainda muita história para se conhecer, da antiga até à contemporânea. Budapeste, de todas, é a mais energética e é imperdoável não a visitarem. Aliás, se escrevêssemos um livro com as dez cidades que têm de visitar antes de morrer, Budapeste estaria lá com certeza.

 

Se ficaram interessados então podem consultar os roteiros das respetivas cidades: Munique, Salzburgo, Viena e Budapeste.

Almoço com o Masterchef George

Almoço no Gazi, em Melbourne

 

Somos fãs do Masterchef Australia e dos jurados do programa. Durante a nossa lua de mel não quisemos deixar de passar pelo restaurante de George Calombaris, o Gazi.

 

Informal, animado e despretensioso, foram estas a palavras que nos vieram à cabeça quando entrámos no restaurante para almoçar, em Melbourne.

 

Antes de avançarmos para a comida, o que realmente interessa, deixem-nos dizer que o jurado do Masterchef Australia tem dois restantes em Melbourne, o Gazi (informal) e o Press Club (formal), vizinhos, mas com preços bem diferentes.

 

Interior do Gazi

  

Voltando à entrada do Gazi, o que salta à vista são as centenas de vasos no teto e a agitação da sala. O espaço insere-se num edifício onde os proprietários quiseram manter a antiguidade e isso nota-se pelas paredes. Contudo, quando se tem um restaurante com uma estrutura industrial é preciso realçá-la com uma iluminação elegante, boa apresentação dos funcionários e qualidade na comida, obviamente. E o Gazi não falha nesses aspetos, acerta em todos.

 

Desejosos de experimentar de tudo um pouco, pedimos a ‘BEND OVER BOX’, um tabuleiro servidos apenas aos almoços que reúne um conjunto de pratos em tamanho pequeno. Esta é a opção mais popular para o almoço, que vai variando consoante a época.

 

Em setembro de 2015, sentados então à mesa do Gazi, pedimos um copo de vinho branco para acompanhar a refeição, aceitando a sugestão da simpática funcionária, aliás, como todos são na Austrália. As ‘Caixas’ têm uma seleção de carne, peixe e sobremesa do dia. Calhou-nos batatas fritas gregas (com sal e queijo feta), pão pita, azeitonas, salada de quinoa e grão de bico, bolacha de camarão, atum e frango, os dois últimos muito bem ‘vestidos’ com molho de noz e azeite.

 

Quanto à sobremesa, a desconstrução de uma velha conhecida, a Pavlova, que acabou por ser a grande surpresa de uma experiência gastronómica muito comedida, que remete toda a atenção para os sabores e tradições da Grécia. A sobremesa acaba por ser o ‘toque’ que esperamos de um chefe mundialmente famoso.

 

Quanto a preços, a BEND OVER BOX tem um preço fixo de 27.50 dólares australianos, ou seja, cerca de 19 euros por pessoa, excluindo bebidas.

 

No geral podemos dizer que foi um almoço agradável, sem ser marcante, até porque o Gazi não quer ser mais do que pretende. Descontraído e barulhento, como um ‘nightclub’, assim é o restaurante de George Calombaris, quem quisemos conhecer no final, mas o jurado do Masterchef Australia não estava.

 

Para mais informações e reservas (recomendamos) consultem o site oficial do Gazi Restaurant

O alojamento ideal para quem percorre a Great Ocean Road

Crude River Retreat, em Timboon-Curdievale

 

Já sabem que somos muito precavidos e gostamos de marcar os hotéis com antecedência, mas houve um, durante a nossa lua de mel, que falhou, e falamos da última noite das nossas primeiras férias enquanto casados.

 

Antes de partirmos para a Austrália, tinha ficado combinado que faríamos um ‘bate-volta’ à Great Ocean Road, ficando a dormir em Melbourne, de onde sairia o avião que nos levaria de volta a Portugal. Contudo, Melbourne foi o nosso ponto de partida e em dois dias já tínhamos visitado tudo. Então, durante a nossa estadia em Sydney aconselharam-nos a ficar a dormir a meio do percurso da Great Ocean Road, pois iria ser muito cansativo fazer a viagem de ida e volta no mesmo dia e não iríamos aproveitar esta bela viagem pela estrada mais fascinante da Austrália. E ainda bem que ouvimos os conselhos, que foram 'regados' com a possibilidade de vermos mais coalas.

 

Então, na véspera da última noite na Austrália, decidimos cancelar a nossa reserva de hotel para Melbourne e pesquisar no Booking as opções. Encontrámos o Curdie River Retreat, mais caro do que as outras opções, mas fomos levados pelo entusiasmo típico de recém casados em fim de férias e marcámos esse mesmo. Custou, na altura, 160 AUD (108 euros), uma noite com pequeno almoço.

 

Só irão entender o nosso entusiasmo de ficar no Curdie River Retreat se lerem o nosso roteiro pela Great Ocean Road. Vamos tentar expressar-nos aqui da melhor forma: Sabem aqueles momentos em que o Universo conspira a nosso favor para que tenhamos o melhor dia possível? Pois, é desses momentos que escrevemos aqui.

 

Depois de terminado o percurso escolhido na Great Ocean Road, fomos em direção ao nosso alojamento, que sabíamos à partida que seria isolado. Então munimo-nos com comida de supermercado, com direito a garrafa de vinho, salame, baguete, queijos… e ainda fomos brindados com aqueles sacos de papel, que tantas vezes vimos em filmes americanos e sempre sonhamos em carregar um. Pelo menos era esse o nosso entusiasmo.

 

Mais uns quilómetros perdidos por estradas inóspitas, algo tipicamente australiano, e lá chegamos ao Curdie River Retreat. Este alojamento em Timboon-Curdievale é nada mais nada menos do que a casa de um simpático casal.

 

Antes de avançarmos com este experiência olhem para as fotos para perceberem melhor

 

 

Percebem agora o nosso entusiasmo? O que mais podem querer dois recém-casados? Uma cabana e amor! É o que todos dizem certo?

 

O Curdie River Retreat é o símbolo máximo de aconchego e serenidade. Todo revestido a madeira, com vidros na janela para apreciar a paisagem a partir da sala, aquecedor, cozinha equipada e um teto inclinado no quarto. Durante a noite o silêncio impera e a cada ruído perguntamo-nos se será a visita de um coala ou até mesmo de um canguru. De manhã percebemos que afinal eram só pássaros.

 

Mas falemos de outro aspeto importante deste espaço. Os responsáveis do alojamento, que foram muito simpáticos durante a estadia, deixaram-nos o pequeno almoço (ovos, bacon, manteiga, sumo…) no frigorifico. E então o pão? Aí está outra surpresa deste alojamento: O senhor levantou-se mais cedo para fazer o próprio pão e deixou-nos à porta do quarto, gentilmente embrulhado num pano, dentro de um cesto.

 

Os amantes (como nós) da máquina de café Nespresso irão dar pulos de alegria quando encontrarem uma à vossa frente. Só havia duas cápsulas, mas deixámos um bilhete durante a noite e os caseiros trataram de oferecer mais dois para o pequeno almoço, porque já tínhamos gastado as que lá estavam depois do jantar.

 

O jantar no Curdie River Retreat é dos que guardamos com mais carinho, por ter sido, sem dúvida, o mais intimista desta lua de mel. Marcante também porque a Ana engasgou-se com um queijo feta e eu não sabia o que fazer, receando ficar viúvo.

 

De manhã, pudemos apreciar as vistas na varanda da sala e passear pelos espaços verdes do alojamento, até porque tivemos direito a 'late check-out'.

 

Partimos, com pena de deixar o Curdie River Retreat para trás e por terminar a lua de mel, mas com muita vontade de partilhar com o mundo esta experiência, a mais marcante dos alojamentos.

 

Podem verificar o Curdie River Retreat no Booking ou no site oficial