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volto já

para quem pertence a vários lugares

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Provamos a melhor Pavlova do mundo, ideal para este Natal

As iguarias do Restaurante Bolshoi

 

A nossa visita ao restaurante Bolshoi, integrado no teatro com o mesmo nome, estava já reservado previamente, pois tinham-nos dito que era lá que se comia a melhor pavlova do mundo. Como amantes e curiosos de boa comida, quisemos saber do que estavam a falar.

 

O comboio das 23h55 que liga Moscovo a São Petersburgo

Flecha Vermelha

 

Ainda sobre a nossa viagem à Rússia, não poderíamos deixar de escrever sobre umas das experiências mais marcantes dessas férias. Pode ser simplesmente uma viagem de comboio realizada à noite, mas todo o ambiente envolvido fez com que as nossas férias terminassem da melhor forma, aquilo que habitualmente se chama de cereja no topo do bolo.

 

Existe um comboio noturno chamado 'Flecha Vermelha', que faz a ligação entre as duas principais cidades da Rússia, Moscovo e São Petersburgo. É um comboio clássico e que circula num ritmo mais lento, com a duração de oito horas de viagem, de forma a que os passageiros possam dormir a bordo. Foi a nossa estreia e adoramos cada minuto, tanto que quase nem dormimos.

 

Os comboios partem diariamente às 23h55 em ponto, tanto de São Petersburgo como de Moscovo, existindo estações próprias para o efeito, por isso informem os vossos taxistas ou condutores UBER do vosso destino final. No nosso caso, fizemos a ligação Moscovo-São Petersburgo.

 

Na plataforma de embarque sentimos logo um duplo arrepio, um pelo frio e outro pelo entusiasmo. Toda a nossa ideia sobre a Rússia estava cravada naquela imagem, enquanto caminhávamos ao longo do comboio. À porta de cada carruagem estava um/a hospedeiro/a, rigorosamente bem vestido da cabeça aos pés para receber os passageiros, que circulavam na plataforma debaixo de pesados flocos de neve e iluminados pelos bonitos lampiões da estação. Ainda não tínhamos mencionado, mas se gostam de lampiões de rua, façam uma visita à Rússia, onde estão os mais bonitos do mundo, ficando perfeitos com o bater da neve.

 A bordo do Flecha Vermelha

 

Todos os bilhetes para esta viagem devem ser comprados previamente na internet e deixamos já uma dica preciosa. Esqueçam todos os outros sites e sigam diretamente para o site oficial da RZD, a empresa que gere os caminhos ferroviários da Rússia. Este portal é seguro e fiável, além disso é onde encontram os preços mais baixos. Basta escolher a data, o número de passageiros e respetivos dados e completar a operação com o pagamento. Quando estiverem a embarcar, basta mostrar o documento (cartão de cidadão ou passaporte) referido na compra. Podem levar o bilhete impresso convosco como garantia, mas ninguém vai perguntar por ele.

 

A segunda classe é a mais barata de todas, uma vez que cada compartimento tem espaço (apertado) para quatro pessoas, sendo que pode ser ocupado por qualquer um. Caso sejam quatro amigos poderá ser a vossa melhor opção, mas se for apenas um casal, por exemplo, e escolher esta classe, poderá ter de partilhar este espaço com desconhecidos. Já a primeira classe conta com dois sofás-cama espaçosos, sendo adequado para um casal viajante. Nas duas opções está incluído uma refeição para cada passageiro. Atenção que há apenas uma casa de banho em cada carruagem. A primeira classe custa perto dos 70€ e a segunda 40€, preços por pessoa.

 

 Cabine Deluxe

Por estarmos a viajar com uma bebé dentro de uma barriga, fomos 'obrigados' a reservar a Cabine VIP, um pequeno apartamento com direito a casa de banho própria, algo que dá muito jeito a quem se levanta várias vezes durante a noite para uma incursão ao WC. Além disso, contava com um chuveiro generoso, uma cama de casal, televisão, almofadas diferenciadas e um tratamento personalizado por parte dos hospedeiros, sempre muito atenciosos. Além do 'kit' de refeição, podíamos escolher extras para o pequeno almoço e ainda um serviço gratuito de táxi para o nosso hotel. Claro que todos estes 'luxos' têm um custo, nomeadamente 180€ pela cabine.

 

Gostamos de dormir no escuro total mas, nessa noite, e com uns -5 graus lá fora, decidimos deitar-nos de janela completamente aberta, para ficarmos a olhar para a escuridão, interrompida pelos raios e feixes dos marcadores luminosos dos caminhos de ferro, e ainda para as casas cobertas de neve. No fundo, ficamos a olhar para todo o deserto branco que estava lá fora.

 

Não podemos dizer que tivemos a noite mais sossegada das nossas vidas porque não o foi, devido ao sons e ao balançar do Flecha Vermelha, mas, que se dane, descansaríamos quando chegássemos a Portugal. As férias são para aproveitar e desfrutar cada pedaço e cada minuto. Nunca se sabe quando é a próxima!

 

Até JÁ

 

7 Razões para amar Roterdão

 

 

 

Roterdão @pixabay

Catarina Osório

 

 

"Se visitar a segunda maior cidade holandesa está nos seus planos há várias coisas que tem de saber. As sugestões de uma portuguesa a viver em Roterdão".

 

 

1. Kralingse Boos
Não é o único parque na cidade, mas há qualquer coisa de especial no Kralingse Boos (literalmente, a “Floresta de Kralingen”), situado num dos bairros mais tranquilos da cidade. O parque tem um lago gigante, que se transforma numa praia no verão e em sítio para piqueniques e churrascos assim que o bom tempo espreita. É o local ideal para uma corrida, caminhada ou simplesmente espairecer as ideias. De lá podemos ver uma panorâmica da cidade, cheia de edifícios com diferentes configurações, na companhia de patos e cisnes.

 

2. Tarte de maçã da Dudok (para além das stroopwafels, brownies e doçarias no geral!)
Se for um(a) grande amante de tarte de maçã tem de provar esta num dos cafés mais dutch da cidade. No Dudok a fatia é generosa e deliciosa. O dilema: com ou sem gelado de canela? E para quem não é dado(a) a enjoos aconselho quente, sem dúvida! Se tarte de maçã não lhe parece animador poderá provar outros doces na Koekela, uma das pastelarias mais famosas da cidade. Alto! Se for amante de brownies, tem mesmo de experimentar o killer brownie na banca “Chocolate Company” no Markthal. O nome é sugestivo, mas o aspectooooo... Bom, não se preocupe com as calorias, a bicicleta encarregar-se-á de as aniquilar naturalmente. Se for mesmo amante das stroopwafels, as de rua e acabadinhas de fazer alegram o mais cinzento dos dias (o que por cá é frequente). Quanto às também típicas poffertjes eu passo, mas se quiser tentar há vários cafés que também as servem.

 

3. Arte urbana espalhada pela cidade
Em Roterdão a arte não se faz só nos museus. Encontramo-la à medida que nos perdemos pela cidade: nos jardins, paredes, estradas, estações de metro para além dos inúmeros museus. As entradas não são baratas por isso, se é mesmo a primeira vez, aconselho visitar o “Boijmans Van Beuningen Museum”. Tem uma grande variedade de obras de arte desde o séc. XV até ao XX. Uma curiosidade: o telefone lagosta de Salvador Dalí está lá. Na rua, pode mirar a famosa e disruptiva escultura “Santa Claus” (o anão que segura o dildo, em Eendrachtsplein) ou a Klauswerk, a igreja que não parece uma igreja. A Central Station também é paragem obrigatória, bem como as Casas Cubo, se tiver mesmo curiosidade em saber como há pessoas que conseguem viver lá dentro. E claro, o Markthal, o mercado gourmet da cidade. Nem que seja para vislumbrar o teto.

 

4. Bicicleta para aqui, bicicleta para cá
É um cliché na Holanda, mas é mesmo verdade. Se quiser mesmo conhecer Roterdão (e no geral qualquer cidade holandesa) a melhor forma é ir pedalando. Pode alugar uma em vários pontos, incluindo na Central Station, a um preço razoável. O único senão é que tem de desembolsar uma caução que será devolvida assim que entregar a bicicleta sã e salva. E não, não vai chegar ao final do dia a achar que acabou uma etapa da Volta à França. Respire! A cidade é relativamente pequena, plana e quase todos os sítios têm passadeiras para as bicicletas. Há só um senão: o vento. Um conselho: consultar sempre as previsões meteorológicas. E se chover? Bom, se for suportável, comporte-se como um(a) holandês(a), use uma capa de chuva e prossiga a viagem. A vida não para.

 

5. A beira-rio
Para uma portuense dificilmente haverá paisagem mais bonita do que o Porto visto de Gaia. A beira-rio de Roterdão não tem a beleza do Porto, é certo, mas o conjunto não fica mal na fotografia. Uma grande parte do centro da cidade foi bombardeado durante a 2ª Guerra Mundial, por isso, também uma grande parte dos edifícios são posteriores a essa data. Enquanto pedala ou caminha pode mirar a construção típica dos Países Baixos, casas estreitas e altas de tijolo cor de laranja (moro numa destas!), misturada com edifícios ultramodernos e uma arquitetura extremamente vanguardista. O Porto de Roterdão é um dos maiores e mais importantes da Europa, daí a forte ligação da cidade ao mar e o frequente tráfego marítimo.

 

6. Roterdão não é no centro da Europa, mas parece
Não querendo demover o turista de visitar a cidade que me acolheu, a verdade é que esta é uma das razões porque amo Roterdão. Está a menos de uma hora de Amsterdão, Delft, Utrecht, Eindhoven e a cerca de duas horas da Bélgica, França, Luxemburgo, Alemanha ou Reino Unido. Sempre que me apetece quebrar a monotonia dou um salto a uma delas, nem que seja para visitar os amigos portugueses que estão um pouco por toda a Europa. Alugar um carro é extremamente fácil e relativamente barato ou pode sempre optar pelo comboio, apesar de não ser uma opção muito em conta se estiver com ideias de visitar várias cidades à volta. Enquanto o diabo esfrega o olho estamos em Bruxelas ou em Antuérpia.

 

7. English. Let’s practice?
É de facto um cartão de visita da cidade. Roterdão é muito multicultural (mais de 100 nacionalidades) e onde mais de 70% dos estudantes da Universidade Erasmus são estrangeiros. Mas não só os foreigners que falam inglês. Desde o lixeiro ao médico, novos ou velhos, regra geral toda a gente é extremamente recetiva a falar inglês. O problema? Os anos passam e quando nos perguntam porque ainda não sabemos falar dutch a resposta é tão simples que até cansa: porque simplesmente não precisamos. Tot ziens!

 

*texto escrito por Catarina Osório

Roteiro Moscovo: Foi amor à primeira vista

Catedral de São Basílio, em Moscovo

 

Depois de termos deixado São Petersburgo as nossas expetativas em relação a Moscovo mantinham-se. Tinham-nos dito que era uma cidade bonita, mas com um ambiente mais pesado, com pessoas mais frias e severas. Mal chegamos à estação de comboio notamos uma segurança mais apertada, mas nos dias de hoje isso não nos assusta, muito pelo contrário. Cá fora, o ambiente não era tão assustador como nos tinham dito. Chamamos um Uber e seguimos para o nosso hotel, escolhido estrategicamente pelas suas comodidades, com um SPA, piscina interior, sauna e banho turco. Com o frio que fazia lá fora, não hesitamos em deixar-nos relaxar, fazendo tempo até ao nosso objetivo de mais logo, o restaurante White Rabbit.

 

O White Rabbit é um dos restaurantes mais ambiciosos do mundo, que teve uma ascensão vertiginosa na lista dos 50 melhores do mundo. Com poucos anos de vida, o White Rabbit ocupa atualmente a 18.ª posição. A nossa impressão sobre este espaço moscovita fica para outro artigo. Contudo, podemos dizer que adoramos e recomendados de olhos fechados, valendo muito pelo ambiente, decoração e vistas.

 

Tal como dissemos na nossa primeira impressão sobre a Rússia, bastaram poucos minutos de carro (do hotel para o White Rabbit) para perceber que Moscovo é fascinante, uma mistura entre Nova Iorque e Tóquio. O fator mais importante é sem dúvida o da surpresa, isto porque ninguém nos tinha dito que a cidade era tão imponente, com os seus edifícios gigantes, iluminados e bem conservados. Aqui fica uma história curiosa: Após a vitória na II Guerra Mundial, Josef Stalin, presidente do conselho de ministros da União Soviética, foi reconhecido como líder indiscutível e este quis  mostrar ao mundo a imponência e patriotismo russo, mandando construir sete majestosos edifícios em Moscovo, isto porque acreditava que a capital russa precisava de se modernizar para fazer frente ao capitalismo. Hoje em dia, esses edifícios são ocupados por unidades hoteleiras, apartamentos de luxo ou ministérios, conferindo um ar misterioso à cidade.

 

No dia seguinte, e como estávamos na cidade do balé, não quisemos deixar de conhecer o Teatro Bolshoi, o mais famoso e histórico do mundo para esta arte. Foi aqui que se estreou, por exemplo, o famoso Lago dos Cisnes, do compositor Tchaikovsky. Os bilhetes foram comprados online previamente, tendo custado 35€ por bilhete para as cadeiras de orquestra. A peça La Sylphide foi uma experiência que se revelou única, principalmente por ter sido numa sala emblemática e com uma orquestra à altura. Ao sair do espetáculo fomos almoçar ao restaurante do Teatro, com o mesmo nome e, mais uma vez, a cozinha russa não desiludiu.

 

Catedral de São Basílio, em Moscovo

 

Da parte da tarde, fomos para o espaço mais movimentado e famoso de Moscovo, a Praça Vermelha. Adjacente ao Kremlin, é um espaço vazio onde as pessoas se concentram para tirar fotos e onde habitualmente existem exposições temporárias, quase sempre relacionadas com a força militar russa. A tapar um dos lados da Praça está o GUM, o centro comercial mais famoso da Rússia, algo que por si só também merece uma visita. Ao fundo, temos o cartão postal de Moscovo, quiçá do país, a Catedral de São Basílio. Com uma estrutura tão peculiar,  colorida e única, reza a lenda que o Czar Ivan, o Terrível,  deixou cego o arquiteto da obra, de forma a evitar que construísse algo tão belo e magnífico para outra pessoa.

 

As estações de metro de Moscovo

 

Já referimos anteriormente, mas nunca é demais sublinhar, que em todas as alturas nos sentimos seguros na cidade, seja em espaços fechados, públicos ou mesmo nas estações de metro. Por falar no transporte subterrâneo de Moscovo, confirmamos que os moscovitas têm as estações de metro mais belas do mundo. Vale a pena ocupar umas horas a viajar pelas estações de Komsomolskaya, Novoslobodskaya, Kievskaya, Elektrozavodskaya, Ploshchad Revolyutsii e Mayakovskaya, que são autênticos exemplos de orgulho do povo moscovita. A viagem unitária de metro custa cerca de 0,80€.

 

Túmulo do Soldado Desconhecido

 

Não podíamos deixar Moscovo sem conhecer o que se esconde por detrás da muralha envolvente ao Kremlin. Antes de comprar o bilhete, convidamos as pessoas a passearem-se pelos Jardins de Alexander, seja inverno ou verão, e prestar homenagem no Túmulo do soldado desconhecido, um monumento que honra os soldados que morreram em tempo de guerra sem que os seus corpos tenham sido identificados. Já dentro do Kremlin, e com o bilhete para ver o complexo arquitetónico (cerca de oito euros) do Kremlin, podem entrar nas Catedrais, ver o maior sino e canhão do mundo, e passearem-se pelos espaços abertos onde reside o presidente Vladimir Putin, um verdadeiro ídolo para os russos.

 

Nos Jardins de Alexander

 

Já com pena de deixar Moscovo, uma das cidades que mais gostamos de conhecer até hoje, regressamos até à estação ferroviária para entrar noutro grande símbolo russo, o comboio 'Flecha Vermelha', que liga as cidades Moscovo e São Petersburgo numa viagem noturna de oito horas, com partida sempre às 23h55. Esta história fica para outra altura, mas acreditem que vale a pena esperar.

 

Notas
Preço médio da refeição: 20 euros por pessoa, com entrada, prato, sobremesa, copo de vinho e café;
Orçamento para os dois dias: Aproximadamente 250 euros para o casal;
Como chegámos lá: Comboio rápido Sapsan desde São Petersburgo (20€ por pessoa);
Mês escolhido: novembro
Alojamento: Garden Ring Hotel, tendo custado 180 euros as duas noites, com pequeno almoço incluído.

Roteiro São Petersburgo: À descoberta da cidade dos Czares

Catedral do Sangue Derramado, em São Petersburgo

 

Ficamos três noites em São Petersburgo, a nossa primeira paragem na viagem à Rússia, tendo ido depois para a capital Moscovo. Chegamos à cidade dos Czares através do Aeroporto de Pulkovo e, tal como nas grandes cidades, somos abordados por dezenas de taxistas que nos querem levar até ao centro. Não é um ambiente hostil, mas não cedam à pressão. Em vez disso, acedam ao wifi do aeroporto e chamem por um carro da Uber, que tem uma tarifa fixa de 700 rublos (cerca de dez euros) do aeroporto até ao centro da cidade e vice-versa. Anotem esta dica: o serviço da Uber vai ser o vosso melhor amigo durante a estadia na Rússia, isto porque além de não terem de comunicar com os condutores, algo que pode ser complicado com os taxistas por não falarem em inglês, as tarifas são baixas e o serviço é eficiente neste país.

 

Depois de mais de uma hora no trânsito de São Petersburgo, que é caótico, chegámos ao nosso hotel, o Akyan St. Petersburg, uma unidade hoteleira que fica próxima da avenida principal, a Nevsky Prospekt, e é muito acolhedora. Por preencher todos os nossos requisitos de conforto, escolhemos o restaurante do hotel para ter o primeiro contato com a comida russa. Serviram-nos strogonoff e caviar de salmão vermelho e nós aprovámos.

 

Catedral de Nossa Senhora de Cazã, em São Petersburgo

 

No dia seguinte acordamos cedo, munimo-nos dos nossos casacos mais quentes, gorros e luvas e partimos à procura dos espaços mais emblemáticos de São Petersburgo. Começamos pela Catedral de Nossa Senhora de Cazã (entrada gratuita) e seguimos logo para o ex-libris da cidade, a Catedral do Sangue Derramado, uma igreja ortodoxa russa que foi construída no local onde o Czar Alexandre II da Rússia foi assassinado. A entrada custa 250 rublos (mais ou menos 3.5€).

 

Paramos para almoçar a nossa primeira salada russa num dos restaurantes mais conhecidos, o Biblioteka, também na Nevsky Propekt, conhecido por servir o melhor Bolo de Mel, o mais típico da cidade.

 

 

Catedral de Santo Isaac, em São Petersburgo

 

Da parte da tarde, visitamos outra Catedral emblemática da cidade, a de Santo Isaac, cuja entrada custa também 3.5€. Há ainda a possibilidade de subir até à cúpula, mediante outra admissão, mas não o fizemos porque havia uma grávida nesta viagem e convinha não fazer muito esforço. Depois de visitar três catedrais irão perceber que todas são semelhantes e por isso o interesse por elas se vai desvanecendo.

 

Sobremesa My mother's favourite flower

 

 

 

 

 

 

 

Como local de jantar escolhemos o Cococo, restaurante anexo ao W Hotel de São Petersburgo. É bom, mas sem surpreender, excluindo a sua sobremesa mais famosa, a “My mother's favourite flower”.

 

 

 

 

 

 

 

 

No dia seguinte, o museu mais famoso da Rússia, o Hermitage, era de entrada gratuita, algo que acontece em todas as primeiras quintas-feiras de cada mês. Depois de enfrentar a fila, fomos confrontados com a imponência dos vestígios deixados pelo império russo, onde o ouro cravejado nas paredes salta à vista. É um excelente museu, embora um pouco desorganizado. Os amantes de arte irão desfrutar desta visita, mas antes peguem no mapa das plantas para melhor  orientação.

 

 

Museu Hermitage, em São Petersburgo

 

Em São Petersburgo, o Rio Neva confere aquele típico ambiente de cidade europeia e por isso não quisemos deixar de fazer um passeio de barco pela cidade. Como fomos em época baixa (dizem os russos), só havia passeios com explicação em russo, por isso deixamo-nos levar por aquilo que os olhos nos iam transmitindo. Esta viagem ganha uma maior dimensão quando deixamos os pequenos canais e percorremos as traseiras do Museu Hermitage, com espaço aberto no rio, deixando-nos absorver pelas cores das pontes de São Petersburgo.

 

Peterhof Palace

 

Para o último dia, fomos a outro espaço muito conhecido nas redondezas de São Petersburgo, o Peterhof Palace. Tenham em atenção que fica a mais de 35 quilómetros do centro da cidade e que com o trânsito podem chegar a demorar 1h30 a lá chegar. Nós fomos e viemos de Uber e pagamos cerca de 14 euros por cada viagem. O Peterhof Palace é espetacular no verão, em que todas as fontes estão ligadas e os jardins arranjados, por isso avaliem se vale a pena visitá-lo caso seja inverno. Nós fomos nessa época e gostamos de o visitar, mas também porque já não havia mais nada de interessante para conhecer no centro de São Petersburgo.

 

Para jantar, fomos à procura do melhor strogonoff da cidade, que fica no Restaurante Severyanin. O espaço é espetacular e o atendimento é ainda melhor, com uma sala acolhedora, ideal para aquecer do frio que fazia lá fora, que era de três graus negativos.

 

A manhã do dia seguinte serviu para tomar o pequeno almoço e apanhar o comboio rápido em direção a Moscovo, a nossa próxima paragem.

 

Notas
Preço médio da refeição: 20 euros por pessoa, com entrada, prato, sobremesa, copo de vinho e café;
Orçamento para os três dias: Aproximadamente 200 euros para o casal;
Como chegámos lá: Avião da KLM (130 euros pp pelo bilhete) de Barcelona até São Petersburgo;
Mês escolhido: Novembro
Alojamento: AKYAN St-Petersburg, tendo custado 155 euros as três noites, com pequeno almoço incluído.

Ninguém nos preparou para esta beleza gelada da Rússia

Catedral de Santo Isaac, São Petersburgo

 

Depois de visitar a Rússia percebemos o porquê das matrioscas serem tão famosas. O país é tal e qual estas típicas bonecas, feitas geralmente de madeira, colocadas umas dentro das outras, da maior até à menor. A única diferença é que a descoberta faz-se no sentido inverso: descobrir a Rússia é ir levantando um encanto atrás do outro, do mais pequeno até ao maior.

 

Infelizmente, existe algum preconceito quanto a uma visita turística à Rússia, mas estamos aqui para desvendar todos os mistérios e dúvidas, relacionadas com uma certa frieza do povo russo e da rigidez com a qual tentam controlar tudo o que está à volta deles. Tudo isso é verdade, mas isso não significa que seja uma coisa má, pelos menos para os que, como nós, a visitam temporariamente. Não confundam frieza com antipatia ou falta de hospitalidade. Os russos podem não ser o povo mais afável do mundo, mas são educados e, quando podem ou conseguem comunicar, tentam ajudar-nos. Não confundam rigidez com insegurança, podendo até ser o oposto. Nas cidades que visitámos (São Petersburgo e Moscovo) reparámos que existe um género de conduta moral para o bom comportamento nos espaços públicos, à qual os cidadãos devem seguir, caso contrário serão punidos. Entendam isto como uma mensagem de respeito pela pessoa que está ao teu lado, que tem o mesmo direito que tu.

 

É esta a ideia que queremos que as pessoas fiquem da Rússia, um lugar onde as pessoas respeitam aquilo que lhes foi 'emprestado' para usufruto público e sem a intenção de destruir. É com esta ideologia que olhamos, quiçá, para as cidades mais limpas que já visitamos. Tudo está impecavelmente limpo e conservado, desde as ruas (que sofrem com os fortes nevões) até às estações de metro. Se um dia forem à Rússia recomendamos que façam este exercício: tentem encontrar um papel de lixo no chão, depois voltem e observem as estações de transportes públicos das cidades portuguesas ou brasileiras.

 

Outra coisa que trouxemos da Rússia, além de muitas boas fotografias e muitas histórias para contar, é a lição da segurança pública. Desde o 11 de setembro que nos sentimos mais seguros nos aeroportos e aviões, com os seus controlos apertados de vistoria de bagagem, líquidos e explosivos, mas e então os outros espaços como comboios ou metros? Pois bem, na Rússia tudo o que é espaço de aglomeração de pessoas é sujeito a uma revisão de segurança, seja galerias comerciais, praças públicas, estações de metro e comboio. Até pode tratar-se mais de uma intimidação do que propriamente uma vistoria, mas isso faz com nos sintamos mais seguros, porque as ameaças surgem quando há falhas na segurança e na Rússia, essa, está bem controlada. Com isto queremos dizer que um pouco de rigidez social não faz mal a ninguém.

 

Tal como já dissemos, visitámos duas cidades na Rússia: São Petersburgo e Moscovo, por esta ordem. A primeira viagem entre as duas cidades foi feita num comboio rápido durante o dia e o regresso a São Petersburgo (o nosso avião chegou e partiu dessa cidade) foi feita à noite, no mítico comboio “Flecha Vermelha”, viagem que recomendamos muito e que iremos falar noutro artigo brevemente.

 

São Petersburgo é a cidade perfeita para termos contato com a Rússia, os seus costumes e tradições, sem existir um choque grande, uma vez que a cidade, devido à sua proximidade geográfica, tem bastantes influências europeias. O Museu Hermitage e a Catedral do Sangue Derramado são de visita obrigatória.

 

Apesar de termos gostado mesmo muito da cidade dos Czares, o nosso coração ficou derramado na capital russa, Moscovo. Gostaríamos de explicar melhor, mas é daquelas cidades que basta passear por ela para sentimos uma atração forte e sentir a sua energia. Aliás, bastaram poucos minutos nas largas estradas da capital para ficarmos logo apaixonados. Sem querer comparar, Moscovo tem aquilo que lhe falta (surpresa) a Nova Iorque e é mais misteriosa do que Tóquio. A meio da caminho entre estas duas cidades, reside o encanto de Moscovo.

 

Outra coisa que devem estar a perguntar-se é sobre o frio. Recordando que fomos em novembro e que enfrentamos temperaturas entre os -2 e os -6, podemos dizer que é um frio suportável, por ser mais seco do que o nosso. Contudo, as caminhadas ao ar livre exigem mais paragens em cafés e restaurantes. Já que falamos em comida, acrescentamos também que se come muito bem na Rússia, aliás, não houve sequer um sitio onde tivéssemos comido mal. Preparem-se para comer muitas saladas russas, estrogonofe ou uma típica sopa borsch. Não se preocupem que aqui irão encontrar muitos restaurantes cosmopolitas e, em Moscovo, encontra-se o 18.º melhor restaurante do mundo, o White Rabbit, que iremos comentar brevemente.

 

Em suma, e respondendo a todas as vossas questões e desmistificando todos os mitos sobre a Rússia e os russos, é um país que vale muito a pena ser visitado. Não se deixem intimidar pelas burocracias para a obtenção do visto, aventurem-se na Rússia, sintam-se como se estivessem numa bola de neve de vidro e levem convosco uma história para a vida.