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volto já

para quem pertence a vários lugares

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As melhores cidades para os amantes de literatura

São viciados em livros? Consomem uns atrás dos outros? Então apresentamos oito cidades que inspiraram alguns dos melhores romances e escritores de todos os tempos. Temos ainda umas dicas para seguirem os trilhos nestas cidades que continuam a ser um paraíso para os amantes de livros.

 

Vamos começar a virar as páginas?

 

1. São Petersburgo

Peterhof, em São Petersburgo

 

Na literatura, o centro cultural da Rússia é um lugar de contrastes. Guerra e Paz (1869), de Tolstoi, Crime e Castigo (1866), de Dostoievski, são algumas das obras russas que marcaram a diferença no olhar para a sociedade russa, principalmente para São Petersburgo, fazendo dela a cidade mais literária do país.

 

Em São Petersburgo, existe uma data para honrar Dostoievski. Realizada no primeiro sábado do mês de julho, os fãs reúnem-se para celebrar o seu herói.

 

Dica: Visite o canto do Stolyarny Alley e  a Rua Kaznacheisky, onde o escritor viveu durante a elaboração de sua obra-prima.

 

2. Paris

Paris, França

 

Enquanto vivia em Paris e escrevia Ulysses (1922), James Joyce desabafava o seu amor pela capital francesa: "Há uma atmosfera de esforço espiritual aqui", contou ele ao amigo pintor britânico Frank Bugden.

 

O Corcunda de Notre Dame (1831) e Os Miseráveis ​​(1862), de Victor Hugo, retratam as diferenças entre a nobreza francesa e os pobres. Romances como o Trópico de Caranguejo (1934), de Henry Miller, e Paris é uma festa (a título póstumo, 1964), de Ernest Hemingway, mostraram aos leitores a vida nómada dos escritores americanos que passaram por Paris no início do século XX.

 

Dicas: Enquanto vivia em Paris na década de 1920, Hemingway passava os inícios das manhãs em La Closerie des Lilas (171 Boulevard du Montparnasse), a escrever muitas das suas primeiras obras, incluindo o O Sol Nasce Sempre (1926). O café ficava apenas a uma rua de distância do seu apartamento, na 113 Rue Notre-Dame des Champs, um dos locais favoritos para o jovem escritor americano ler o trabalho dos seus amigos, como o manuscrito de F. Scott Fitzgerald de Gatsby (1925).

 

3. Londres

Londres, Inglaterra

 

Ao longo da história, alguns dos escritores mais famosos do mundo têm caracterizado Londres como sendo uma personagem principal e é por isso que conhecemos tão bem a cidade.

 

Londres são as crianças de rua de Charles Dickens, os reis trágicos de Shakespeare (Richards II e III, Henry V e VIII), e a alta sociedade de Thackeray em Feira das Vaidades (1847). É ainda a cidade de Mary Poppins, Sherlock Holmes e Harry Potter.

 

Dicas: Passem pela Rua 34 (anteriormente 16) de Tite para prestar homenagem a Oscar Wilde e à sua esposa Constance, que se mudaram para o Bairro em 1884. É onde Wilde escreveu algumas das suas obras mais famosas, incluindo o Retrato de Dorian Gray (1891).

 

4. Reiquiavique

Islândia

 

Há um estudo que refere que um em cada dez islandeses irá publicar um livro ao longo de sua vida. Isso faz com que este país seja o maior gerador de escritores no mundo. Se considerarmos que a Islândia tem 300.000 habitantes na capital (Reiquejavique), temos a ideia de que a cidade terá 30.000 autores, com todos os livros a serem publicados em islandês, em defesa da língua.

 

Valter Hugo Mãe foi um dos escritores que se deixou apaixonar pelo encanto deste pequeno país ao escrever a Desumanização (2013). Certamente que George R.R. Martin's inspirou-se na Islândia para escrever a saga A song of ice and fire (1996-), uma vez que esta é a terra do gelo e dos vulcões. Halldór Laxness é o único escritor islandês galardoado com um prémio Nobel da literatura (1955) e, anos antes, escreveu A estação Atómica (1948), retratando os contrastes islandeses, entre a vida moderna e a rural.

 

Dicas: A Islândia é o país dos elementos naturais, por isso nada melhor que percorrer as estradas deste país em estilo aventureiro para redescobrir a nossa paixão pela natureza.

 

5. Pamplona 

San Fermin, Pamplona

 

Ernest Hemingway escreveu o seu romance O Sol Nasce Sempre (1926), baseado em eventos reais da sua própria vida. A primeira vez que ouviu falar de Pamplona foi por acaso, quando era jornalista correspondente em Paris e decidiu fazer uma história sobre esta pequena cidade espanhola de apenas trinta mil habitantes.

 

Ele queria escrever uma história sobre o estranho hábito de “soltar os touros" para depois fugir deles pelas ruas. Hemingway, de apenas 24 anos, ficou tão fascinado por este espetáculo que regressou a Pamplona mais oito vezes. A pequena cidade espanhola representava, para ele, o que amava: a diversão, boa vida, álcool, mulheres, touros e amigos.

 

Dicas: Na Plaza del Castillo, Ernest Hemingway alternava entre as esplanadas do Txoko e Café Iruña, ambos ainda em funcionamento, assim como o Torino Coffee Bar, Café Kutz e Swiss Café. Visitem também Gran Hotel La Perla, onde permaneceu alojado.

 

6. Tóquio 

Tóquio, Japão

 

Haruki Murakami é considerado o maior embaixador da nova corrente literária japonesa,, nomeadamente com os seus romances After Dark (2004) e Norwegian Wood (2010). Mas é com a trilogoia 1Q84 (2009) que o autor realmente se conecta a Tóquio, passando do antigo para o moderno. O escritor oriental consegue levantar o pano sobre o Japão colorido e barulhente, revelando o que se esconde em cada casa e em cada pensamento dos japoneses.

 

Dicas: Visitem o Nakamuraya Cafe (3-26-13 Shinjuku, Shinjuku) e o Hotel Okura (2-10-4 Toranomon, Minato) para conhecer alguns lugares-chave da obra de Murakami. Existe também o Cafe Rokujigen (1-10-3 Kamiogi, Suginami), onde os fãs do escritor se juntam regularmente para ler e discutir a sua obra.

 

 7. Roma

Forum Trajano, Roma

 

Graças à literatura inglesa, Roma ganhou destaque com os seus romances baseados no drama e traição. Titus Andronicus (1594) e Júlio César (1623), ambos de Shakespeare, retratam os jogos de poder na cidade antiga, enquanto Ben-Hur (1880), de Lew Wallace, visita a Roma do início do cristianismo, com meticulosas descrições. I Claudius (1934), de Robert Graves, oferece uma história romana "narrada” por um dos seus imperadores.

 

Dicas: Se quer reviver a Roma Antiga, visite o Antico Caffè Greco (Via dei Condotti, 86). Inaugurado em 1760, as mesas de mármore do café têm recebido clientes notáveis como John Keats, Charles Dickens, Hans Christian Andersen, Mary Shelley e Lord Byron.

 

8. Lisboa

Alfama, Lisboa @pixabay

 

Lisboa é a cidade de Fernando Pessoa e a capital portuguesa transpira os versos do maior poeta português. A cidade conta ainda com o Monumento dos Descobrimentos, que nos remete para os textos de Luís de Camões. Lisboa serve ainda de cenário para Os Maias, de Eça de Queirós (1888), um dos maiores romances alguma vez escritos. Queirós "leva-nos" até ao Ramalhete, uma casa afastada do centro, na altura, num local elevado da cidade. Hoje, no lugar do Ramalhete encontra-se o Museu Nacional de Arte Antiga.

 

Lisboa acolhe ainda a Fundação José Saramago, na Casa dos Bicos, onde funciona a biblioteca do escritor de O Memorial do Convento, assim como uma exposição permanente sobre a vida e obra do único prémio Nobel da literatura portuguesa.

 

Dicas: Algumas das lojas citadas n' Os Maias ainda existem, como a Casa Havaneza, no Chiado, por exemplo. Passear em Lisboa é seguir os trilhos de Carlos ou de Ega. Podem ainda tomar um café ao lado da estátua de Fernando Pessoa, no café A Brasileira. Caminhe ainda até ao Monumento dos Descobrimentos para ver Luis Vaz de Camões e os heróis de Os Lusíadas.