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voltoja

Ninguém nos preparou para esta beleza gelada da Rússia

Catedral de Santo Isaac, São Petersburgo

 

Depois de visitar a Rússia percebemos o porquê das matrioscas serem tão famosas. O país é tal e qual estas típicas bonecas, feitas geralmente de madeira, colocadas umas dentro das outras, da maior até à menor. A única diferença é que a descoberta faz-se no sentido inverso: descobrir a Rússia é ir levantando um encanto atrás do outro, do mais pequeno até ao maior.

 

Infelizmente, existe algum preconceito quanto a uma visita turística à Rússia, mas estamos aqui para desvendar todos os mistérios e dúvidas, relacionadas com uma certa frieza do povo russo e da rigidez com a qual tentam controlar tudo o que está à volta deles. Tudo isso é verdade, mas isso não significa que seja uma coisa má, pelos menos para os que, como nós, a visitam temporariamente. Não confundam frieza com antipatia ou falta de hospitalidade. Os russos podem não ser o povo mais afável do mundo, mas são educados e, quando podem ou conseguem comunicar, tentam ajudar-nos. Não confundam rigidez com insegurança, podendo até ser o oposto. Nas cidades que visitámos (São Petersburgo e Moscovo) reparámos que existe um género de conduta moral para o bom comportamento nos espaços públicos, à qual os cidadãos devem seguir, caso contrário serão punidos. Entendam isto como uma mensagem de respeito pela pessoa que está ao teu lado, que tem o mesmo direito que tu.

 

É esta a ideia que queremos que as pessoas fiquem da Rússia, um lugar onde as pessoas respeitam aquilo que lhes foi 'emprestado' para usufruto público e sem a intenção de destruir. É com esta ideologia que olhamos, quiçá, para as cidades mais limpas que já visitamos. Tudo está impecavelmente limpo e conservado, desde as ruas (que sofrem com os fortes nevões) até às estações de metro. Se um dia forem à Rússia recomendamos que façam este exercício: tentem encontrar um papel de lixo no chão, depois voltem e observem as estações de transportes públicos das cidades portuguesas ou brasileiras.

 

Outra coisa que trouxemos da Rússia, além de muitas boas fotografias e muitas histórias para contar, é a lição da segurança pública. Desde o 11 de setembro que nos sentimos mais seguros nos aeroportos e aviões, com os seus controlos apertados de vistoria de bagagem, líquidos e explosivos, mas e então os outros espaços como comboios ou metros? Pois bem, na Rússia tudo o que é espaço de aglomeração de pessoas é sujeito a uma revisão de segurança, seja galerias comerciais, praças públicas, estações de metro e comboio. Até pode tratar-se mais de uma intimidação do que propriamente uma vistoria, mas isso faz com nos sintamos mais seguros, porque as ameaças surgem quando há falhas na segurança e na Rússia, essa, está bem controlada. Com isto queremos dizer que um pouco de rigidez social não faz mal a ninguém.

 

Tal como já dissemos, visitámos duas cidades na Rússia: São Petersburgo e Moscovo, por esta ordem. A primeira viagem entre as duas cidades foi feita num comboio rápido durante o dia e o regresso a São Petersburgo (o nosso avião chegou e partiu dessa cidade) foi feita à noite, no mítico comboio “Flecha Vermelha”, viagem que recomendamos muito e que iremos falar noutro artigo brevemente.

 

São Petersburgo é a cidade perfeita para termos contato com a Rússia, os seus costumes e tradições, sem existir um choque grande, uma vez que a cidade, devido à sua proximidade geográfica, tem bastantes influências europeias. O Museu Hermitage e a Catedral do Sangue Derramado são de visita obrigatória.

 

Apesar de termos gostado mesmo muito da cidade dos Czares, o nosso coração ficou derramado na capital russa, Moscovo. Gostaríamos de explicar melhor, mas é daquelas cidades que basta passear por ela para sentimos uma atração forte e sentir a sua energia. Aliás, bastaram poucos minutos nas largas estradas da capital para ficarmos logo apaixonados. Sem querer comparar, Moscovo tem aquilo que lhe falta (surpresa) a Nova Iorque e é mais misteriosa do que Tóquio. A meio da caminho entre estas duas cidades, reside o encanto de Moscovo.

 

Outra coisa que devem estar a perguntar-se é sobre o frio. Recordando que fomos em novembro e que enfrentamos temperaturas entre os -2 e os -6, podemos dizer que é um frio suportável, por ser mais seco do que o nosso. Contudo, as caminhadas ao ar livre exigem mais paragens em cafés e restaurantes. Já que falamos em comida, acrescentamos também que se come muito bem na Rússia, aliás, não houve sequer um sitio onde tivéssemos comido mal. Preparem-se para comer muitas saladas russas, estrogonofe ou uma típica sopa borsch. Não se preocupem que aqui irão encontrar muitos restaurantes cosmopolitas e, em Moscovo, encontra-se o 18.º melhor restaurante do mundo, o White Rabbit, que iremos comentar brevemente.

 

Em suma, e respondendo a todas as vossas questões e desmistificando todos os mitos sobre a Rússia e os russos, é um país que vale muito a pena ser visitado. Não se deixem intimidar pelas burocracias para a obtenção do visto, aventurem-se na Rússia, sintam-se como se estivessem numa bola de neve de vidro e levem convosco uma história para a vida.